
Está longe de ser uma questão teológica. Se pecado for, este mal é um dos mais perigosos e urge com força na atualidade. Quando a religião entra na disputa pelo poder político, a fé corre o risco de cegar.
Direita e esquerda política no Brasil tentam tomar as religiões como instrumento para manobra eleitoral. Enquanto demoniza seus adversários, o outro grupo usurpa para si o potencial de libertação, transformando os candidatos em salvadores da pátria e do povo, garantindo a continuação de um progresso questionável.
Exemplos de regimes que utilizam a fé como armadura do poder são inúmeros. Observamos as barbáries que assolam a Síria e o Afeganistão, como perseguição a grupos opositores, guerras civis devastadoras e supressão dos direitos das mulheres.
Recentemente, o Papa Leão XIV pediu perdão pela participação da Igreja Católica Apostólica Romana no contexto da escravização de milhões de africanos. O silêncio das denominações evangélicas frente a esse problema também é um problema.
A Constituição Brasileira garante que o “Estado é laico”, ou seja, não há uma religião oficial imposta pelos governos, como houve no início da colonização e que perdurou por séculos.
Há quem reafirme que, embora o Estado seja laico, a sociedade não é. Realmente, a sociedade não pode ser laica, pois a religião é importante fator cultural. É justamente por isso que ela e a política não podem andar de mãos dadas.
A maioria absoluta do nosso país é formada por cristãos, 83,6% para ser mais preciso. E é do cristianismo que surge a melhor ideia de separar política e religião.
Quando questionado sobre a licitude em pagar impostos à Roma, Jesus Cristo pronuncia a famosa frase “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus, o que é de Deus”.
Há coisas que são de Deus e outras, não! Foi o próprio Messias quem disse. Parece que Deus não precisa e não quer Suas coisas junto com as de César. E por que misturá-las, então?
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