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PROBLEMAS EM CÁPSULA ESPACIAL DA BOEING IMPOSSIBILITA ASTRONAUTAS DE RETORNAR À TERRA

A previsão é de que os astronautas só retornem em fevereiro de 2025

09/08/2024 às 07h51
Por: José Bráulio Oliveira Santos
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A Starliner em órbita. Imagem: NASA/Divulgação
A Starliner em órbita. Imagem: NASA/Divulgação

PABLO NOGUEIRA, PORTAL UOL - Após ficarem presos na Starliner, a trajetória dos astronautas da primeira nave da Boeing a atracar na ISS (Estação Espacial Internacional) se tornou uma narrativa tragicômica. O que estava ruim, ficou pior: a NASA já cogita seriamente trazer os astronautas Suni Williams e Butch Wilmore a bordo de uma nave da SpaceX.

Por semanas, inclusive no último dia 31 de junho, a NASA minimizou os problemas mecânicos que ocorreram no sistema de propulsão da Starliner — a nave da Boeing que levou dois astronautas à ISS, em junho. Inclusive, a agência reforça que os astronautas não estão “presos no espaço”, mesmo não tendo uma previsão de quando (e como) eles retornarão.

Na prática, a Boeing passa por um grande constrangimento, já que a NASA está tendo que atrasar seu cronograma de lançamentos e pedir ajudar à rival SpaceX para trazer de volta os astronautas em segurança.

NASA adia Crew-9 da SpaceX para ampliar testes da Starliner

Anteriormente, informamos aqui no Giz Brasil que a NASA estendeu o período de testes para garantir o retorno dos astronautas a bordo da própria Starliner. No entanto, na última quarta-feira (7), a NASA admitiu que os problemas podem ser mais sérios do que eles pensavam.

Um plano B que tem ganhado força é enviar a missão Crew-9 com apenas dois astronautas — e não quatro como anteriormente planejado. Assim, a nave teria dois assentos vagos para trazer Williams e Wilmore de volta. Porém, os dois astronautas seriam obrigados a permanecer mais cinco meses em órbita, voltando apenas em fevereiro de 2025.

ale lembrar que a ISS conta apenas com duas portas de atracação para naves norte-americanas, estando as duas agora ocupadas pela Starliner e a Crew Dragon, da missão Crew-8. Ou seja, para a nave da Crew-9 chegar, a Starliner precisa ir embora.

Aliás, a NASA também anunciou o adiamento do lançamento da Crew-9 para que os engenheiros tenham mais tempo para corrigir uma falha no software da Starliner que impede a nave de desatracar automaticamente da ISS.

A decisão da NASA também visa evitar uma humilhação para a Boeing em sua primeira missão espacial, mas a agência pode estar chegando ao limite.

Pior cenário possível para a Boeing em sua primeira missão espacial

Ken Bowersox, diretor das operações espaciais da NASA, que anteriormente se mostrava otimista com a nave encalhada na ISS, mudou de postura durante a coletiva de ontem (7).

Publicada em live no YouTube, a coletiva evidenciou a divergência entre NASA e Boeing sobre como resgatar os astronautas. Bowersox enfatizou que “a nave Starliner da Boeing pode não ser segura o suficiente para trazer os astronautas de volta à Terra”.

Portanto, a agência poderia recorrer à rival da Boeing, a SpaceX, “para realizar o retorno dos astronautas muito mais tarde do que o plano original”.

Para reforçar ainda mais o mal-estar, a NASA não convidou a Boeing para participar da coletiva de quarta-feira (7). Por outro lado, em comunicado à imprensa, a Boeing deixou claro que discorda totalmente da avaliação da NASA. Segundo a empresa, a Starliner conseguirá retornar os astronautas à Terra.

“Ainda acreditamos na capacidade de voo de retorno da Starliner. Mas, se a NASA decidir alterar a missão, vamos tomar as ações necessárias para configurar a Starliner para um retorno sem tripulação”, disse a Boeing.

Enquanto a Boeing aposta na capacidade da Starliner, a NASA confirmou que o plano para trazer os astronautas presos na ISS depende apenas da SpaceX.

Vale lembrar que um problema parecido ocorreu com a nave russa Soyuz, atingida por um micrometeorito em dezembro de 2022, e que levantou dúvidas se ela seria segura para trazer dois cosmonautas e um astronauta norte-americano de volta. A solução foi enviar uma nave de resgate sem astronautas a bordo, para substituir a Soyuz avariada.

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