
Um mal silencioso. É assim que podemos nos referir a uma doença de índices alarmantes: a hipertensão. A também chamada pressão alta já foi taxada como “doença de idoso” porque fatores ligados ao envelhecimento podem aumentar o risco de o indivíduo desenvolvê-la. Entretanto, adultos jovens e até crianças são vítimas comuns, principalmente pelo sedentarismo, dieta desbalanceada e rica em sódio e até fatores genéticos, que podem elevar a possibilidade de ocorrência da hipertensão.
Dados da Organização Mundial da Saúde – OMS, lançados em 2019 no Relatório Global sobre Hipertensão, apontam para um vertiginoso crescimento de casos da doença no mundo. Segundo o documento, um a cada três adultos do mundo estão em condição de hipertensão.
No Brasil, o Ministério da Saúde contabiliza que, diariamente, 388 pessoas morrem por complicações deste mal silencioso com traços hereditários. De todos os casos, 90% das pessoas hipertensas herdaram a doença dos pais. Segundo o documento da OMS, um a cada quatro brasileiros adultos possuem a comorbidade.
Apresentados no início de outubro pela Sociedade Europeia de Cardiologia, ESC na sigla em inglês, os novos estudos alteraram os patamares considerados normais para a pressão arterial do corpo humano. Visando simplificar metas, agora existem três possibilidades para classificar o quadro do paciente.
NOVOS PATAMARES
De maneira simples, podemos compreender a pressão alta como a força exercida pela sangue quando é bombeado pelo coração, medida em milimetros de mercúrio (mmHg). E há dois movimentos realizados pelo coração: a sístole, que é quando o coração "suga" o sangue venoso, e a diástole, quando o coração empurra o sangue chamado arterial. Um aumento na pressão indica, portanto, que o sangue irá se chocar com mais força nas paredes dos vasos sanguíneos.
Os estudos que definiram os novos patamares foram elaborados por uma equipe internacional de médicos especialistas liderados por Dr. Bill McEvoy da University of Galway no Reino Unido e pela médica Dra. Rhian Touyz, Ph.D., da McGill University no Canadá.
Antes, um humano saudável tinha pressão arterial sistêmica considerada normal quando a pressão sistólica estava entre 120 mmHg até 129 mmHg, enquanto a diastólica estava em até 80 mmHg. Isto diz ao famoso 12 por 8. Já ouviu alguma vez?
Pelos novos patamares, a pressão arterial de referência passa a ser chamada de não elevada, cujo valor é de até 12 mmHg para a sístole e 70 mmHg para a diástole, ou se preferir 12 por 7.
Uma nova categoria classifica a presssão arterial de elevada quando os valores para a sístole variam de 120 mmHg até 139 mmHg ou quando a diastólica variar de 70 mmHg a 89 mmHg. Para estes casos, sugere-se intervenção na rotina de vida, como mudanças de hábitos alimentares e práticas de atividades físicas, antes de iniciar um tratamento medicamentoso, principalmente nos pacientes com pressão arterial de pelo menos 130 × 80 mmHg.
A hipertensão surge quando a pressão arterial sistólica é de pelo menos 140 mmHg e a diastólica de pelo menos 90 mmHg. Todos os pacientes na categoria de hipertensão têm indicação de tratamento.
"Essa nova categoria de pressão arterial elevada reconhece que a progressão da pressão arterial normal para hipertensão não ocorre da noite para o dia", disse o Dr. Bill. "Geralmente, há uma mudança gradual, e diferentes subgrupos de pacientes — como aqueles com maior risco de doença cardiovascular — podem se beneficiar de um tratamento mais intensivo antes que a pressão arterial atinja o limiar tradicional da hipertensão".
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