
Monsenhor. Foi por esse título que o padre José de Souza Santos ficou conhecido em Tobias Barreto. O próprio Papa João Paulo II assim o designou por conta do desempenho frente aos trabalhos pastorais. O título lhe foi concedido durante a solenidade dos 300 anos da Paróquia de Nossa Senhora da Piedade, em Lagarto, no dia 11 de novembro de 1979, pelo representante do Vaticano, o Núncio Apostólico do Brasil, dom Carmine Rocco. Mas a história do Monsenhor Souza teve início bem antes.
O irmão mais velho de Maria Dilma dos Santos Andrade (in memoriam), Maria Djalma Santos Araújo (in memoriam) e Diva Ilbrantina Santos Muniz, nasceu em 27 de novembro de 1930. Viu seu irmão, José Antônio Souza Santos (in memoriam), o caçula dos homens, morrer aos sete meses de idade, vitimado por dores intestinais. Filho de João Durval dos Santos (in memoriam) e Ilbrantina de Souza Santos (in memorial), tinha parentes na cidade baiana de Itabuna. Foi batizado pelo também Monsenhor Basilíscio Raposo e, aos 11 anos, recebeu sua primeira comunhão. Entre 1943 e 1946, foi coroinha na Paróquia da Imperatriz dos Campos. Com a fundação do Grupo Escolar Tobias Barreto, em 1944, como bom tobiense que foi, faz seus estudos na instituição. Em 11 de fevereiro de 1946, parte para o Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Aracaju. Lá, cursa a 5ª série do antigo ginásio.
Depois disso, o jovem Souzinha seguiu para o seminário de Maceió, permanecendo de 1953 a 1954. No ano seguinte, vai estudar em Recife e Olinda, concluindo sua passagem por terras pernambucanas em 1956. O professor e escritor Roberto Bispo, relata em seu livro Monsenhor José de Souza Santos: um homem de Deus, que em 03 de fevereiro de 1957, ele recebe a ordem menor das mãos de dom Fernando Gomes dos Santos, então Bispo de Aracaju. Parte, então para Salvador, de onde, em 1958, segue para Fortaleza.
Em 27 de julho de 1958, é instituído subdiácono pelo bispo de Aracaju, dom José Vicente Távora. Preocupado com a própria formação, ele frequenta curso de Educação Moral e Cívica e de Atualização Pastoral no Centro de Treinamento de Natal, no Rio Grande do Norte. Em 23 de novembro de 1958, inicia retiro espiritual para, então, receber a ordem sacerdotal, ocorrida em 08 de dezembro do mesmo ano. Padre Souza foi o primeiro presbítero (padre, sacerdote) instituído por dom José Vicente Távora que, mais tarde, se tornaria o primeiro Arcebispo Metropolitano de Sergipe.
Roberto Bispo também descreveu com detalhes a calorosa recepção que o recém-ordenado padre recebeu, em sua terra natal, em 14 de dezembro. O pároco da época, Monsenhor João Barbosa de Souza, preparou tudo. Neste mesmo dia, Padre Souza celebra sua primeira missa, faz eloquente pregação e recebe homenagem de José Francisco de Menezes e Aderbal Barbosa.
O agora padre é enviado como vigário cooperador das Igrejas de São José, em Aracaju, e Santa Luzia, na Barra dos Coqueiros. Em 26 de março de 1959, é transferido para Itaporanga D’ajuda, como vigário ecônomo, onde funda, sob a influência de dom Távora e do Movimento de Educação de Base da CNBB, o Educandário Paroquial São Luiz de Gonzaga, além do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
Foi na cidade de Ribeirópolis onde o Monsenhor assumiu sua primeira missão como pároco, oficializada em 12 de abril de 1964. Roberto Bispo registra a criação do Ginásio João XXIII, atualmente instituição da rede estadual de ensino, pelo sacerdote. Também colaborou para construção de quadra esportiva, além de organizar o “cinema”, uma espécie de sala de multimídia, onde filmes eram proporcionados à comunidade.
Quase cinco anos mais tarde, em 19 de março de 1969, dia de São José, às 10h da manhã, Padre Souza chegava em Tobias Barreto para exercer seu ministério como pároco das terras de Campos. Apesar das fortes chuvas que recaíam sobre a cidade, provocando alagamentos e inundações por conta das cheias dos rios, os tobienses não faltaram à Santa Missa que dom José Bezerra Coutinho, bispo de Estância, presidiu para empossar o novo pároco.
Durante os 54 anos em que esteve em nossa paróquia, contribuiu de forma significativa para o desenvolvimento da cidade. Assistia aos fiéis em suas casas. Estimulou a criação de casas populares aos menos favorecidos. Fazia questão que a cozinha da Casa Paroquial estivesse à disposição para saciar a fome de quem precisasse, sobremaneira às segundas-feiras, dia da feira livre do município. Com a ajuda, em peso, da comunidade, edificou capelas em bairros periféricos, povoados e lugarejos. Inseriu diversos movimentos religiosos e pastorais, como o ECC e a Pastoral da Criança. Abriu diálogo com outras denominações religiosas e organizações da sociedade, como o Rotary Clube.
Instigou a criação de escolas, como o Cenecista Monsenhor Basilíscio Raposo, João Antônio César e o Abelardo Barreto do Rosário, sendo, desta última, seu primeiro diretor. Em 03 de janeiro de 1974, ao reorganizar os estatutos da banda de música da cidade, torna-se o primeiro presidente da Sociedade Musical Lira Nossa Senhora Imperatriz dos Campos, a nossa banda Lira. Em meio aos tradicionais festejos de 15 de agosto de 1981, dia da Imperatriz dos Campos, Padre Souza e Francisco de Assis fundam o abrigo de idosos São Vicente de Paulo. Consegue recursos da Alemanha para construir o Auditório Paroquial da cidade, utilizado para as celebrações católicas enquanto a Matriz da Imperatriz dos Campos passa por sua única ampliação.
Até 16 de julho de 1982, era também responsável pela Igreja de São Sebastião, em Poço Verde, quando, nesta data, a então Igreja é elevada à condição de Paróquia. Em terras poçoverdenses, foi um dos responsáveis pela instalação da Casa das Irmãs de Santa Maria de Namur, em 13 de junho de 1976, a primeira do Brasil, e pela inserção do Ensino Médio, ocorrido em 1982. O Monsenhor foi também vigário-geral da Diocese de Estância e conselheiro dos presbíteros e consultores da diocese. Encontrou-se com figuras históricas, como o Frei Damião de Bonzzano, em 1975, em Tobias Barreto, durante Santa Missão, e com São João Paulo II, a primeira vez em 1980, em Salvador, e a segunda em 1985, no Vaticano.
Expoente de humildade, o célebre sacerdote faleceu no último dia 16 de junho. Sua paciência, simplicidade e empenho, contudo, marcaram para sempre a vida e a memória do povo tobiense. "Meus irmãos, vamos errar menos! Todos os dias, é preciso errar menos" é uma espécie de mantra repetido por todos que puderam conhecer esse exemplo de honestidade e sabedoria.
Com informações de Padre Pedro Vidal e do livro Monsenhor José de Souza Santos: um homem de Deus, escrito por Roberto Bispo dos Santos.
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