
Em 2025, Sergipe consolidou passos decisivos para estruturar o Plano Estadual de Transição Energética e fortalecer a infraestrutura necessária para receber novos investimentos. O processo envolve metodologia participativa, com enfoque em governança e multidisciplinaridade, incluindo participação dos setores produtivos.
O ano marcou o encerramento da consulta pública do Plano, elaborado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec) em parceria com a FGV Energia. Também em 2025 foi assinada parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) para construção de um novo estudo sobre logística e infraestrutura portuária, voltado principalmente ao Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB).
A etapa atual da agenda envolve a incorporação das contribuições da consulta pública, a consolidação dos produtos técnicos desenvolvidos pela FGV e a finalização do documento que definirá diretrizes, metas e prioridades para o setor energético sergipano. O segmento de gás natural é um dos destaques do trabalho, que prioriza fontes renováveis, tecnologias limpas e mecanismos de eficiência energética.
Avanço do plano em 2025
O Plano Estadual de Transição Energética dá continuidade a uma parceria entre Sedetec e FGV, que produziu o estudo “Análise do Impacto Econômico dos Investimentos em Óleo e Gás no Estado de Sergipe”, publicado em março de 2024. O trabalho serviu como base para parte dos diagnósticos e projeções utilizados na atual construção da agenda energética.
Em fevereiro deste ano, o Governo de Sergipe, a iniciativa privada e representantes da sociedade participaram do primeiro encontro ampliado para apresentação dos resultados iniciais dos estudos conduzidos pela FGV Energia. Em julho, o Workshop Técnico para construção da Agenda reuniu novamente esse grupo para consolidar diagnósticos preliminares, revisar gargalos e oportunidades e discutir o desenho final da agenda.
O plano está em processo final, após o encerramento da consulta pública. A iniciativa abriu espaço para participação popular, permitindo que sugestões e ajustes fossem incorporados ao plano.
Agora, o plano segue em processo de consolidação. A expectativa é que o documento sirva de base para decisões de investimento, atração de novas indústrias, expansão da infraestrutura portuária e fortalecimento das cadeias de valor ligadas ao gás natural e às energias renováveis.
Gás natural como vetor de transição
O plano reforça o papel do gás natural como combustível de transição, alinhado à estratégia nacional e às características produtivas de Sergipe. Considerado mais eficiente e menos poluente que os combustíveis fósseis tradicionais, o gás complementa fontes renováveis e fortalece a segurança energética.
O secretário da Sedetec, Valmor Barbosa, destacou a importância da agenda para o posicionamento do estado. “O gás natural, recurso abundante em nosso estado, é peça-chave nesse processo e tem sido integrado de forma estratégica ao plano. Para além de um diagnóstico técnico, o estudo elaborado pela FGV é um insumo importante para fortalecer a atração de investimentos, projetando Sergipe como referência na nova economia de baixo carbono”.
Já o pesquisador da FGV Energia, João Victor Marques, ressaltou o potencial energético identificado. “A cesta de suprimentos virá tanto de oferta do Sergipe Águas Profundas (Seap) quanto do Terminal de GNL, além do GNC como alternativa à conexão dutoviária, somando uma oferta de 40 milhões de m³/dia de gás”.
Estudo de infraestrutura portuária
Também em 2025, a Sedetec assinou contrato com a FGV Energia para a realização de um estudo específico sobre a infraestrutura portuária e logística de Sergipe. O trabalho avaliará o potencial de ampliação do TMIB, fluxos de cargas, gargalos atuais e futuras demandas, principalmente ligadas ao setor energético.
Segundo o pesquisador João Victor Marques, a primeira etapa é fazer um diagnóstico do TMIB. "Esse diagnóstico contempla o mapeamento dos fluxos de carga e as condições de acesso logístico. Em seguida, vamos analisar as potencialidades e demandas para ampliar as atividades atualmente realizadas pelo porto, seguido por estudos de viabilidade”.
Além disso, a administradora do terminal, VLI, anunciou a ampliação do calado operacional para 9,80 metros — medida que já permite ao porto receber embarcações de maior porte, ampliando a margem operacional para futuras movimentações.






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